
terça-feira, 16 de dezembro 2008
Revoada
Capa do CD, Vôo de Coração (Edição Comemorativa de 25 Anos)
We have lift-off!
Segue abaixo o press-release oficial do CD remasterizado, assinado pelo jornalista e crítico musical, Arthur Dapieve, autor do livro, BRock - O rock brasileiro dos anos 80:
Aula do inglês
Uma das lendas urbanas mais resistentes na música brasileira pontificava que o rock era um vírus tão alienígena, mas tão alienígena, que só poderia mesmo era se manifestar no idioma inglês. “Não se pode cantar rock em português, e ponto final”, diziam os guardiões das raízes. Raízes, sim. Tanto a da música nativa, supostamente autóctone, quanto a do rock’n’roll, anglófona. Qualquer um que desmentisse isso – como os Mutantes, Raul Seixas ou a Blitz – era tratado pelas turmas da ortodoxia como a exceção que justificava a regra.
Então, em 1983, um roqueiro inglês cantando em português (!) estourou no Norte, quer dizer, no Nordeste, e chutou aquele papo brabo pra escanteio. Richard David Court, o Ritchie, acabou por tomar as rádios do Brasil com a sua Menina Veneno, letra de Bernardo Vilhena. Aquilo era rock. Era em português. E era imensamente popular – o que explica ter caído primeiro no gosto dos ouvintes nordestinos, sempre muito apegados à própria música. O compacto com o hit de Ritchie (perdão!) vendeu mais de 500 mil cópias a partir de fevereiro, e o LP que saiu em junho, Vôo de Coração, avançou célere para 800 mil cópias.
É para comemorar os 25 anos do seu lançamento que aquele histórico LP agora retorna às lojas. Vem numa magistral restauração e remasterização em CD, feita por Carlos de Andrade a partir das fitas originais, e com quatro faixas bônus: Baby Meu Bem (Te Amo), Mi Niña Veneno, The Letter e Vôo de Coração (versão 2008). Completam este pacote festivo que tem Gê Alves Pinto na coordenação gráfica, os fotogramas extras dos ensaios de Clício Barroso (o retratista do compacto) e Milton Montenegro (o do LP), um texto do parceirão Vilhena e comentários faixa a faixa do próprio Ritchie. É, diga-se, o mesmíssimo time “original de fábrica” que trabalhou no LP Vôo de Coração, um quarto de século atrás.
Ritchie não era um recém-chegado. Nem ao Brasil nem à música. Viera em 1972, com 20 anos de idade, fascinado por uma parte da trupe dos Mutantes, inclusive Rita Lee, que conhecera em Londres. Casara-se com uma brasileira. Formara-se na Scaladácida, na Barca do Sol e no Vímana. Neste, tocara com Lulu Santos, com Lobão e, durante um certo tempo, com Patrick Moraz, tecladista suíço que havia passado pelo supergrupo inglês Yes. Ritchie sabia, portanto, onde estava pisando. E não entrou em campo para perder.
A edição comemorativa de Vôo de Coração ressalta, aos meus ouvidos, a qualidade do trabalho artístico e técnico na ocasião. A remasterização manteve, ou melhor, recriou a “pressão” sonora do tempo do vinil. A faixa de abertura, No Olhar, já nos dá uma pista da enorme influência que aquele tipo de sonoridade, digamos, tecnopop, teria no decorrer da década de 80. Seus teclados épicos antecipam, por exemplo, o RPM. E, conforme o disco avança, vão ressurgindo canções incrustadas no inconsciente coletivo, a sábia A Vida Tem Dessas Coisas, a baladona Vôo de Coração (com guitarra do ex-Genesis Steve Hackett!), a batida sensual de Casanova e, claro, a inenarravelmente contagiante Menina Veneno.
Eu gostaria, porém, de chamar a atenção para outro clássico, Pelo Interfone. Ele é um testemunho sutil contra outra lenda urbano-musical, a de que o pop-rock feito no Rio de Janeiro nos anos 80 era sempre bobo alegre, “de bermudas”, enquanto São Paulo e Brasília arcavam sozinhas, coitadas, com a seriedade da época. Pois Pelo Interfone é, de forma direta e despretensiosa, maquiada por ritmo caribenho, uma angustiante canção sobre desencontro. “Chamo por você, ninguém atende/ De repente, uma luz acende/ ‘Ela não está’/ Diz a voz que vem do interfone/ ‘Não sei se vai chegar/ Volte amanhã, mas antes telefone’”, canta Ritchie, na rua e no aparelhinho, para meu eterno desassossego.
Eternidade. Que ironia. Tanta gente, através dos tempos, colocando Ritchie entre os produtores locais de “música descartável”, subestimando-o, tratando-o como um one hit wonder, e seu primeiro disco aqui, firme e forte, ainda falando ao coração (e ao cérebro), cheio de grandes canções. Que ironia. Essa gente nunca entenderá que a glória de qualquer música, erudita ou popular, sempre foi pegar o instante e fixar o que ele tem de atemporal, de capaz de falar a sucessivas gerações. Nisso, Vôo de Coração é uma aula. Do inglês.
(dezembro, 2008)
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Nossa! Tinha acabado de colocar 2 comentários no post anterior, no último, disse que tina acabado de ver a contagem regressiva acabar, e na hora de atualizar vi o post novo falando do cd 25 anos.
Aproveitei e acabei de ler o texto do Arthur Dapieve, achei bem legal o que ele disse.
Por aki vou me dispedindo, vou esperar você anunciar a venda das cópias por aki.
Bjos: De sua fã Adryz
Aguardei segundo a segundo a contagem regressiva, ansioso pelo que iria ser dito pelo Ritchie. Eis que num fantástico sincronismo proporcionado pela Internet, Ritchie coloca seu post exatamente à meia-noite.
Como não perco tempo, já corri às lojas virtuais em busca do CD e eis que encontro-o na Videolar.com, ainda como pré-venda e já me coloquei na lista de espera.
Aguardo ansioso ter esta obra histórica de quem sou tão fã.
Sucesso Ritchie! Abraços!
Arthur de Maceió-AL
ORGULHOOOOOOOOO!
Grande Dapieve -- por onde anda?...
Ritchie, time original de fábrica é um luxo só, hein?
Muito legal o Dapieve ter falado da "faixa de abertura" -- nossa, que anos 80 falar assim. ;p
Mas verdade seja dita: "No olhar" é uma das minhas músicas favoritas (de todos os tempos). E o que eu não canso de dizer sobre "Vôo" é que é um daqueles poucos discos que eu tocava sem arruinar o stereo do papai. E ai de quem me interrompesse, porque vitrola não tinha botão de pausa.
A vitrola teve que ceder espaço pras modernidades, aposentei os discos, nunca mais pude ouvi-los. Ouvir "Vôo" agora, em CD, do jeitinho que eu ouvia meu LP... Lá se vão exatos... 14 anos. :)
E eis que venho aqui todo dia, também, esperando ansiosa pelos autografados. ;p
irradiado por: Lulissima em dezembro 16, 2008 1:49 AMPS: Arthur, bem notado! Ricardinho, sim, pero sin perder la pontualidad britânica... ;p
irradiado por: Lulissima em dezembro 16, 2008 1:54 AMSir Richard, esse será o meu presente de aniversário atrasado, segundo a minha esposa...
Apenas torço para que eu e a minha fofa não soframos muito para encontrar este disco em São Paulo, da mesma forma que sofri para achar o Auto-Fidelidade...
irradiado por: Rodrigo Nunes em dezembro 16, 2008 7:34 AMQue belo presente de aniversário! Nada poderia ser melhor nesse meu dia do que esta notícia!
=D Eu quero autografado!
*-----------*'
irradiado por: Guilherme Krol Lins em dezembro 16, 2008 9:01 AMParabéns, Lucas!
Rodrigo, eu estou apenas esperando as caixas encomendadas chegarem da fábrica da Sony para começar a oferecer o CD, autografado, pelo site. Falta bem pouco, eu espero. Se eu ainda fosse artista contratado da gravadora, tudo seria bem mais fácil.
irradiado por: Ritchie em dezembro 16, 2008 9:05 AMÉ... Esse é o disco!!! Pra todos nós que participamos da tour Voo de Coração é sensacional vermos ele de novo na rua...
Abraços!!!
irradiado por: Paulo Farat em dezembro 16, 2008 9:56 AMEu também vou querer um autografado! Como meu niver tá longe, vai ser um Christmas gift!! Mesmo que chegue um pouco depois, no problem.
O release do Dapieve é emocionante... como sempre, as palavras certas para o momento certo!
Beijos, Ritchie!!!
Caramba!! Lendo o que o Arthur escreveu, não precisa nem fazer algum comentário. Ele sintetizou direitinho
o que deveria ser dito, e sabiamente!! Também vou querer o meu devidamente autografado!! A ansiedade é tanta que corri pra atender o carteiro, e que emoção quando recebi o meu!! Aí eu acordei era sonho......
Bjs, Ritchie!!!!!!
Caramba!! Lendo o que o Arthur escreveu, não precisa nem fazer algum comentário. Ele sintetizou direitinho
o que deveria ser dito, e sabiamente!! Também vou querer o meu devidamente autografado!! A ansiedade é tanta que corri pra atender o carteiro, e que emoção quando recebi o meu!! Aí eu acordei era sonho......
Bjs, Ritchie!!!!!!
Sorry, Ritchie ter postado mais de uma vez.....vc entende é a emoção......bjs...
irradiado por: Marcia Pilot em dezembro 16, 2008 1:40 PMTudo bem, Marcia querida.
Estamos todos um tanto emocionados hoje....
irradiado por: Ritchie em dezembro 16, 2008 1:54 PMO MEU CORAÇÃO JÁ NÃO AGUENTA!
tomara que essas caixas não demorem. quero o meu autografado... estou de olho! IUPI,
PARABÉNS PARA NÓS!
PARABÉNS PARA NÓS! PARABÉNS PARA NÓS!
PARABÉNS PARA NÓÓÓÓÓS! IÊ IÊ IÊ!
O MEU CORAÇÃO JÁ NÃO AGUENTA!
tomara que essas caixas não demorem. quero o meu autografado... estou de olho! IUPI,
PARABÉNS PARA NÓS!
PARABÉNS PARA NÓS! PARABÉNS PARA NÓS!
PARABÉNS PARA NÓÓÓÓÓS! IÊ IÊ IÊ!
todos estamos Chris, todos estamos =)
Ritchie, você viu as fotos que eu te mandei?
Vou ficar no aguardo! Adoraria esse cd autografado, pq isso é ter meu presente completinho, caso não dê, vou adquiri-lo pelas lojas mesmo(aliás, espero conseguir, pq conforme um comentário aí que li, realmente é dificil achar seus cd's), fazer o q?
irradiado por: Anny em dezembro 16, 2008 6:40 PMQue legal! esse album é um verdadeiro "Classic Album" feito no Brasil! Faço questão de tê-lo em minha CD-teca e guarda-lo com muito carinho.
Musicas que serão sempre lembradas, são eternas.!
Grande abraço e parabéns por essa conquista! 25 anos de um classic album!
Rafa
irradiado por: Rafael Dutra em dezembro 16, 2008 6:52 PMGente, que lindas palavras do Arthur, e cá estamos nós, para provar que Ritchie e sua música não eram descartáveis....Cá estamos aguardando ansiosos nosso CD, e ainda por cima tendo a honra de tê-lo autografado. Ritchie, será que chega como presente de aniversário, que será 31/12? De qualquer forma, o importante é que chegue...25 anos depois esta ansiedade, não é prá qualquer um, parabéns prá você!!!
irradiado por: Rita Tavares em dezembro 16, 2008 11:25 PMVocê disse um quarto de século, Ritchie... Que venha outro quarto, e ainda haverá no canto da sala o seu holograma - mas você nunca estará só no apartamento escrevendo memórias no velho computador. Nas ondas do tempo estaremos estaremos sempre juntos, porque você nos deu asas.
Obrigado amigo!
Bom, Ritchie, encontrando o CD, é claro que compro! Prá mim, é só encontrar!
irradiado por: Nelson em dezembro 17, 2008 5:48 PMOlhando uma cena de uma novela do SBT identifiquei a música 'TRANQUILO'> Isso é verdade mesmo ???? Como foi isso???
irradiado por: bira em dezembro 18, 2008 9:15 PM